segunda-feira, 15 de março de 2010

BELICHE

Caminhamos todo o dia entre ravinas e valados, campos de feno, pedras e areias. Fugidos, escondidos, felizes e livres, o mar entrava pelos olhos como o reflexo de um espelho..... envergonhada a precipitação visitou-nos por breves momentos….

Os obturadores abriam-se, fechavam-se, abriam-se e fechavam-se registando, pequenos frames para ficarem arquivados na retina …… a cada curva a ansiedade de alcançar o que olhos contemplavam….. aumentava.

Os braços mexiam-se os dedos apontavam, a mão em forma de pala alojava-se na testa, os olhos semicerravam-se para proteger das areias, o sorriso era fácil.

Fustigados por uma leve e fresca brisa, sujámos os pés de terra, vestimos e despimos camisolas, mirámos horizontes e respirávamos, respirávamos………..

No final….

No final a expedição acaba num saco de amendoins, que passava de mão em mão, e numas cervejas geladas, a areia corria uma vez mais sem demoras…. o Sol desmaiava lentamente no Beliche….. o agitação voltara.

Discutiam-se relações, emoções, sensações ficando a pergunta no ar….. como se chamariam os habitantes de Sagres?

Ainda hoje não sei? Mas também não quero saber….

Mais tarde conheci a virgem de Guadalupe.

- Carvalho, Elio -












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